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09/12/09

Do Editorial do Expresso - Ambiente e Verdade

"Sem pôr em causa medidas ambientais úteis, é necessário trabalhar com base na verdade"
Esta frase, do editorial do Expresso do passado Sábado, 07/12/2009, encerra em si mesma de forma concisa e assertiva aquilo que se passa hoje em dia na problemática ambiental, quer a nível internacional quer ao nível nacional.
Embora tudo aponte para que as emissões de CO2 sejam, de facto, a causa mais provável do aquecimento global, sendo igualmente essa a minha linha de pensamento, não me admira nada, antes pelo contrário, que os resultados de alguns estudos sejam forjados de modo a passar a mensagem com mais eficácia, o que para além de lamentável, é condenável.
Em Portugal, embora a uma escala muito mais diminuta e sem a gravidade de um problema global, como o são as emissões de gases com efeito de estufa, estou em crer que se passa algo de semelhante, com estudos que incidem sobre a mesma coisa e apontam para conclusões totalmente opostas. Exemplos não faltam, e assim de repente, lembro-me de: Estudos ambientais sobre o novo aeroporto (Ota/Alcochete), Barragem do Sabor, Co-incineração e a preservação do Lobo-Ibérico Vs Parques Eólicos!!
Não consigo entender como é que técnicos com a mesma formação, que trabalham sobre a mesma legislação, e muitas vezes, usando a mesma metodologia, chegam a conclusões tão díspares...
Explicações para tal não tenho. Ou se calhar até tenho, mas não passariam de especulações.
Vamos esperar, então, para ver no que vai dar o caso já baptizado de "Climategate".

25/11/09

Da cortiça à resina, da rolha à cola

Vem este post a propósito de um conjunto de tweets trocados durante o dia de hoje, e que versavam, e muito bem, sobre o uso de rolhas de cortiça nas garrafas de vinho, e que, na minha ótica, vai muito mais além disso. Como se sabe, a cortiça é-nos proporcionada pelo Sobreiro (Quercus suber), espécie esta que faz parte natural da vegetação arbórea da Península Ibérica, e em particular das zonas alentejana, andaluza e raiana (portuguesa e espanhola).

Embora não pareça, o Montado de Sobro e Azinho constitui um dos mais ricos ecossistemas do planeta, por constituir um habitat natural para várias espécies de vertebrados - aves (algumas rapinas como o Falcão-peregrino Falco peregrinus, e a Coruja-das-torres Tyto alba, outras estepárias, como o Sisão Tetrax tetrax e a Abetarda Otis tarda), mamíferos (lebres, coelhos, javalis, morcegos arborícolas, etc…) e répteis - bem como pela existência de um coberto e sub-coberto vegetal (pastagens naturais), encontrando-se em forte declínio, ainda que de forma mais acentuada, em Portugal. O coberto arbóreo original no nosso país não tem nada a ver com o dos dias de hoje. Assim, onde há algumas centenas de anos atrás, de norte a sul do país, se encontravam várias espécies da família das Quercíneas, tais como o Carvalho-negral (Quercus pyrenaica), o Carvalho-alvarinho (Quercus ruber), o Carvalho-cerquinho (Quercus faginea), o Carrasco (Quercus coccifera), a Carvalhiça (Quercus lusitanica), a Azinheira (Quercus rotundifolia ) e, o já mencionado Sobreiro (Quercus suber), encontramos hoje vastas plantações de pinheiros bravos (Pinus pinaster), mansos (pinus pinea) e eucaliptos (várias espécies).

Centremos pois a nossa atenção no Sobreiro: Esta árvore, cujo revestimento (casca) é a cortiça, tem um papel de grande importância na preservação e manutenção do equilíbrio ecológico nas zonas onde existe, e que pode ser caracterizado, em primeiro lugar, pela barreira natural que constitui contra os incêndios (que são “naturais” nos países mediterrânicos, sendo que a cortiça tem uma enorme resistência ao fogo, protegendo a árvore num 1º nível, e, consequentemente, a um 2º nível, a floresta como um todo); é uma espécie de crescimento lento, o que permite que, de forma natural, tudo à sua volta, ou na sua dependência, tenha um normal desenvolvimento. E, finalmente, tem uma importância económica estrondosa, constituindo-se a cortiça um dos produtos portugueses mais exportados, sendo que até há pouco tempo, era mesmo o mais exportado.
É um ótimo exemplo em como a Economia e a preservação do Ambiente estão em perfeita simbiose.

E eis que chegamos à rolha: um dos maiores aproveitamentos da indústria corticeira é o fabrico de rolhas, principalmente para a indústria vitícola. E não se usam só rolhas em cortiça unicamente para rolhar as garrafas, mas também porque as características físico-químicas da cortiça são as ideais para a conservação das características organolépticas do vinho.
Ao se abdicar da utilização de rolhas de cortiça entramos no início de uma cadeia que levará à extinção do Sobreiro, uma vez que, e de uma forma simplista:
1) a indústria corticeira baixa a produção de rolhas baixando os seus lucros;
2) menos cortiça é usada;
3) mais sobreiros ficam ao abandono;
4) a recolha da cortiça não é feita;
5) as pragas e doenças do sobreiro acabam por tomar conta dos mesmos; e
6) os sobreiros acabam por morrer.
Posteriormente, a longo-prazo, e tal como aconteceu e acontece no norte do país, as florestas autóctones de carvalhos dão lugar a plantações em massa de pinheiros e eucaliptos. 

E de uma coisa tenho quase a certeza: nunca iremos ser conhecidos no mundo pela qualidade da nossa cola ou de outros produtos que tenham a resina como matéria-prima principal. Portanto, é tempo de inverter, de uma vez por todas o título deste post para: “da resina à cortiça, da cola à rolha”.

27/10/09

O Twitter, o Ambiente e a Economia


Já faz algum tempo que queria escrever algo sobre a relação que poderá existir entre as redes sociais, neste caso em particular, o Twitter, o ambiente e a economia. Penso até que é um tema que poderá dar “pano para mangas”, como reza a expressão popular.
A primeira coisa que me veio à cabeça na altura foi que o Twitter, pelo facto de se ter apenas 140 caracteres para se dizer algo, apelava, antes de mais e em primeiro lugar, à capacidade de síntese de cada um de nós, e em segundo lugar ao captar imediato da mensagem por parte do(s) receptor(es), e que isso seria um bom exercício não só para outras plataformas sociais (MSN, Facebook, LinkedIn), mas principalmente para jornalistas, estudantes, escritores, autores de blogs, etc, aplicarem nos seus trabalhos, notícias, teses, posts, etc.
Afinal de contas, dizer em poucas palavras alguma coisa que normalmente se diz no dobro ou mais, acaba por nos fazer ser assertivos, e todos nós sabemos o valor que a assertividade tem nos dias de hoje.
Na mesma linha de pensamento, escrevendo menos para dizer o mesmo, vai-se traduzir, em grande parte dos casos, numa economia de papel, de tinteiros, de electricidade, e por aí fora, até à famosa redução de emissões de carbono (esta será uma estimativa para ser feito mais tarde...).
Conclui-se então, ainda que de forma empírica e quiçá grosseira, que o Twitter, para além de ser “amigo do ambiente” acaba por ser também economicamente atractivo.

22/10/09

Dulce Pássaro, Ministra do Ambiente - Curriculum



 Vogal do Conselho Directivo do Instituto Regulador de Águas e Resíduos
Nascida em Oliveira do Hospital em 1953, concluiu a licenciatura em Engenharia Química – Ramo de Tecnologia em 1976 no Instituto Superior Técnico de Lisboa e a Especialização em Engenharia Sanitária em 1982 na Universidade Nova de Lisboa. Iniciou a sua actividade profissional como assistente de Química e Métodos Instrumentais de Análise no Instituto Politécnico da Covilhã. Em 1977 ingressou como técnica superior na Direcção Geral dos Recursos e Aproveitamentos Hidráulicos, onde desempenhou funções de controlo das descargas de águas residuais industriais. Em 1986 transitou para a Direcção Geral da Qualidade do Ambiente, onde desenvolveu actividade no âmbito da aplicação do normativo comunitário no domínio do Ambiente, designadamente no combate à poluição marítima e no controlo das substâncias perigosas no meio aquático. Integrou o grupo de trabalho nomeado para a elaboração da primeira lei nacional da qualidade da água, o Decreto-Lei 74/90. Em 1990 foi nomeada Chefe de Divisão de Resíduos na Direcção Geral da Qualidade do Ambiente. Em 1993 foi nomeada Directora do Serviço de Resíduos e Reciclagem da Direcção Geral do Ambiente. Em 1997, com a criação do Instituto dos Resíduos, foi designada Directora do Departamento de Planeamento e Assuntos Internacionais daquele instituto. Em 2000 assumiu as funções de Presidente do Instituto dos Resíduos. Desde 1990 ligada à área dos resíduos, participou na discussão das directivas de resíduos, sendo membro de vários comités presididos pela Comissão da União Europeia e participou na elaboração e coordenação da implementação de toda a legislação nacional relativa a resíduos. Foi membro dos grupos de trabalho que elaboraram o Plano Nacional de Resíduos e mais tarde os Planos Estratégicos para a Gestão dos Resíduos Industriais e Hospitalares. Participou na elaboração da legislação de resíduos para o Território de Macau. Desde Março de 2003 é vogal do Conselho Directivo do Instituto Regulador de Águas e Resíduos.
Informações retiradas do sítio do Instituto de Resíduos: www.irar.pt

19/10/09

Caça vs Ambiente

Perguntam-me muitas vezes, até pela actividade profissional que exerço, se sou contra ou a favor da actividade cinegética, vulgo Caça.
E, embora por motivos diferentes, sempre, ou quase sempre ficam admirados com a minha resposta: Sim, sou a favor e não tenho nada contra tal actividade, desde que bem sustentada quer a nível legal quer, principalmente, por quem a pratica.
E ficam admirados, porque quase toda a gente confunde Ambientalistas/Ecologistas com profissionais que trabalham em Ambiente, cuja regra nº 1 a seguir deverá ser, sempre, a da "Sensibilidade e Bom Senso".
Se o interlucotor é um cliente, promotor de um qualquer projecto, seja ele eólico, hídrico, agrícola ou turístico, fica logo todo contente porque pensa "Porreiro, estes tipos não vão colocar muitos entraves no Estudo ou parecer". Passados dois dias fica desenganado.
Se estamos a falar com ambientalistas mais pró radical, o pensamento já é o "Olha estes querem é agradar a quem lhes paga, por isso temos é que lhes dificultar o processo ao máximo".
É, com as devidas diferenças, a atitude adoptada por quem é a favor ou contra a caça, defendendo as suas posições de forma extrema.
Repare-se na cruel foto em baixo (autoria de Luis Vicente, Biólogo): Quem matou estas duas rapositas e as deixou penduradas na placa toponímica, nunca foi, não é, nem nunca será Caçador. Não passará de um ser ignóbil, que jamais terá o respeito dos outros, quanto mais respeito por si mesmo.
Só que temos que saber distinguir entre o imbecil que fez isto e a grande maioria dos Caçadores (e eu conheço bastantes), que nunca praticaria um acto desta natureza.
Assim como o Promotor de um projecto tem de adoptar a atitude de um caçador consciente, um ferveroso ambientalista tem de adoptar a atitude de bom senso de um profissional sério da área ambiental, não tomando o joio pelo trigo.