05/06/10

Os exames do 9º ano

Tem-me feito alguma confusão o ruído que se instalou pela possibilidade, já legislada há algum tempo e não agora, de os alunos retidos no 8º ano de escolaridade terem a possibilidade de se auto-propôrem a exame a todas as disciplinas do 9º ano, e poderem assim passar para o 10º ano.
Segundo o que sei, para terem acesso a esta hipótese os alunos têm que cumprir alguns critérios, entre os quais:
1) Terem 15 anos, no mínimo;
2) Possuírem autorização do encarregado de educação; e,
3) Realizar, com sucesso, exames a TODAS as disciplinas.
Com base nas três permissas anteriores, confesso que não vejo qual o problema de esta possibilidade ser facultada a estes alunos, tal como é a outros de anos posteriores e nas Univesidades.
Porque "carga de água", há-de ser mais fácil fazer não sei quantos exames e obter a respectiva aprovação (ou não) do que efectuar 3 provas, uma por cada período lectivo e assim, também obter a mesma aprovação (ou não)?
Na minha modesta opinião, não é por existir mais do que um meio para chegar ao mesmo fim, que se chega à brilhante conclusão de "existência de facilitismo". Pelo contrário, penso até que estes alunos terão mais dificuldade em obter a respectiva aprovação. Mas, pelo menos, têm a hipótese de escolher...
Como é que se apregoa tão depressa ao "facilitismo", quando ainda nenhum exame foi realizado??
Toda esta discussão poderá fazer sentido, caso os exames não sejam elaborados com sentido de responsabilidade, pedagógico e científico. Tudo o resto, parece-me, é crítica pela crítica.
O princípio é exactamente o mesmo da atribuição de subsídios sociais, tal como o rendimento mínimo: não é a existência deste que está errada ou poderá ser posta em causa, mas sim a fiscalização da sua atribuição. Fazendo um possível paralelismo, não é a existência dos exames do 9º ano que está errada, mas poderá ser, isso sim, o seu conteúdo. E sobre isso, ainda ninguém pode dizer nada, uma vez que ainda nenhum foi realizado.

01/05/10

Este também é teu!

Quem me conhece, e os poucos que me seguem aqui no Pardais ao Ninho e no Até Sabe a Pato, sabem que raramente escrevo sobre essa Paixão que se chama Sport Lisboa e Benfica. Não porque não tenha vontade, muito porque sei que a paixão seria sempre maior que a razão (o que não é, necessáriamente, um mal).
Abro hoje uma excepção nas vésperas de (espero) tornar a ver o Glorioso Campeão. E faço-o, não com sobranceira, mas sim com a convicção e certeza que iremos ser uns justos campeões. Por mais que falem em túneis, castigos, lesões, falsos colos, etc, não há nada que tire o mérito a esta vitória que se avizinha. Mais vitórias, mais golos marcados, menos golos sofridos, maiores assistências, maiores receitas de bilheteiras, etc, etc...
Não estarei amanhã no Porto, estarei na próxima semana na Catedral, tal como estive a maior parte das vezes durante a presente época e em todas as anteriores.
E porque durante este ano, infelizmente, neguei ao meu filho a vontade que este tinha de ir à Luz ver o Benfica a jogar. Esteve lá quando fez três anos, nos jogos de apresentação e não mais que isso. Infelizmente assim teve que ser, uma vez que, hoje em dia não é seguro levar uma criança à maior parte dos jogos.
Mas, no próximo fim de semana, vai ter a sua merecida recompensa, e ver a Catedral cheia de gente alegre, bem disposta, vestida de vermelho e branco com a águia imponente a sobrevoar o estádio e comemorar o seu segundo título desde que nasceu, agora com outra noção do que é o Benfica.
Ao meu filho agradeço por me ter consolado com as suas festas e carinho quando as coisas não correram bem (como em Liverpool);
À minha mulher (sportinguista...), agradeço por me aturar todos os fins-de-semana a gritar pelos golos do Benfica e pelas "pequenas provocações" que lhe fui fazendo;
Ao meu Pai, que já por cá não anda, agradeço ter-me transmitido a noção do "Ser do Benfica", e os Domingos passados na velhinha Catedral, convicto que estará também a comemorar no meio de nós.
Este título também é (vai ser) teu!



16/04/10

Crónicas C’um Caneco - Dia 10

Durante alguns segundos, pairou no ar um ambiente mesclado entre a surpresa, comum aos três, e a aflição de Vanessa em tentar arranjar uma boa desculpa (mas mesmo boa), para estar ali naquele local. Não por Eugénia, mas sim pela presença do Inspector, pessoa que ela nunca imaginaria ali encontrar. Ainda para mais com tudo o que tinha acontecido nas horas anteriores e com o interrogatório a que já tinha sido submetida, e que decorreu bem antes do de Eugénia.
O Inspector Rodolfo, qual camaleão, tornou a transparecer o seu ar altivo, austero e rude, que durante o tempo que tinha acompanhado Eugénia a casa tinha dado lugar a uma gentileza e simpatia nada comum nele.
- Cara D. Vanessa!! Uma grande surpresa a sua presença aqui. Ou, pensando melhor, nem será assim tão grande. Mas antes disso, permita-me que lhe pergunte como entrou nesta casa, com autorização de quem e com que intenções?
Enquanto Eugénia encostava o seu corpo à parede mal caiada da casa, Vanessa com ar atrapalhado e comprometido, tentou fitar o Inspector nos olhos, retorquindo da melhor maneira que lhe era possível:
- Caro Inspector! Realmente é uma surpresa vê-lo por aqui. Por ventura, até maior que a do senhor. O facto é que me desloquei aqui a casa para falar com essa “menina”, uma vez que, ao que parece, ela conhecia muito bem o meu querido e falecido marido. E uma vez que me chegou aos ouvidos que com ele tinha estado na noite passada, queria que ela me explicasse, olhos nos olhos, o que aconteceu e porque cometeu tal acto. O modo como aqui entrei apenas se deve ao facto de ter descoberto uma chave com as iniciais “EE” gravadas. Ora como de burra não tenho nada, essas iniciais só podiam ser de Eugénia Epifânia.
- Cara D. Vanessa! Interrompeu Rodolfo. Antes de mais, permita-me que lhe diga que esta Senhora que aqui está (enfatizando a palavra “Senhora”) não teve nada a ver com a morte do seu marido. E, em segundo lugar, com chave ou sem ela, acabou de entrar em propriedade alheia, que como bem sabe, e uma vez que de burra não tem nada (enfatizando de novo, agora na palavra “burra”), é um crime grave. Num ápice, virou-se para Eugénia e perguntou-lhe: A senhora deu autorização à D. Vanessa para entrar em sua casa?
Eugénia, apenas abanou a cabeça para os lados. Rodolfo insistiu: A senhora deu autorização à D. Vanessa para entrar em sua casa? Respirando fundo, e ainda meio atordoada com a cena que ali decorria, Eugénia soltou um enérgico “Não”.
Rodolfo, dirigiu-se então para junto de Vanessa, agarrou-lhe os dois braços de forma enérgica dizendo-lhe: - lamento mas está detida por invasão de propriedade alheia!
Depois de ter algemado Vanessa, voltou-se e mirou Eugénia com um olhar algo confuso entre o dever profissional e a pena por não poder passar algum tempo mais na sua companhia. Num suave e quase terno tom de voz, pediu-lhe que no caso de se lembrar de algo mais saberia onde o encontrar, e que fosse descansar que o dia tinha sido duro.
Foi uma despedida acelerada que nenhum dos dois estava à espera. Cruel mesmo...

(Continua um destes dias...)

10/04/10

Diné Bikeyah - the land of the People

 Diné Bikeyah is the land of the People. Diné Bikeyah exists in the heart of the Diné as hozhoogi - the beauty of life.
Diné Bikeyah also lies between the peaks of four Sacred Mountains.

Morning Spirit Song

The Morning Spirit song sings of the abundance
and wealth of the morning,
when the warmth and light of day come with all
its glory, when all is possible and potential.
 
You feel the water of life running
over your feet and the soft
wet earth beneath your feet.
 
You begin to walk
through the white corn fields as the pollen blesses you
with the sacred seed of Life.

You feel the good above you, below you,
in front of you, behind you
all around you

(Then the drumming shifts)
 
Now you are walking into the
twilight
 
into the darkness, into the night
bringing with you virtue and spiritual abundance gathered
during the sacred day.

The stars begin to come out.
This is the good way, the blessing way."

sung by Billy Yellow 2002
translated by Jeremiah Harvey

03/03/10

As máfias de Deus e as outras

É conhecida a religiosidade dos mafiosos sicilianos bem como de agentes de profissões análogas, como passadores de droga, traficantes de armas e proxenetas, meros exemplos da harmonia entre o crime e a superstição.
Quando, há algum tempo, a cantora pop Madonna foi à Rússia e se fez coreografar numa cruz logo as poderosas máfias autóctones a intimidaram e chantagearam com ameaças aos dois filhos e marido.
Surpreende os incautos ver máfias e Vaticano do mesmo lado da barricada, defensores dos bons costumes e do respeito pela iconografia de que a religião se apropriou.
Entre 1979 e 1982, cinco cardeais referidos no inquérito do IOR (Banco do Vaticano) e do Banco Ambrosiano, com a média de 69 anos de idade e gozando todos de boa saúde, esqueceram-se de respirar. Sucedeu-lhes o mesmo que a João Paulo I cuja imprudência de revelar que iria fazer um inquérito ao IOR logo alertou Deus para a necessidade de o chamar à sua divina presença, como soe dizer-se em jargão religioso.
Em vida de João Paulo II, enquanto foi possível conservá-lo, a Santa Aliança (agência de espionagem do Vaticano) teve um papel muito activo na venda de armas à Argentina, durante a Guerra das Malvinas, no desvio de fundos do IOR para o «Solidariedade», de Lech Walesa e na lavagem de dinheiro da droga e de outras pias actividades.
O arcebispo Paul Marcinkus, Roberto Calvi, Licio Gelli e Michele Sindona, este último lavava dinheiro de heroína, tiveram uma relação íntima com Paulo VI, João Paulo II e cardeais da Cúria num triângulo que envolvia o IOR, o Banco Ambrosiano e a falsa loja maçónica P-2.
Foi Licio Gelli quem apresentou Somoza a Roberto Calvi. A Nicarágua converteu-se em refúgio seguro para o dinheiro «B» do Vaticano e o IOR, em troca, pagou grandes somas ao ditador.
A falência do Banco Ambrosiano só não causou maiores danos ao Vaticano porque são antigas as nódoas e tão frequentes que qualquer canonização lhes serve de lixívia. Mas custou muito dinheiro ao Papa.

Fonte: A Santa Aliança - Cinco séculos de espionagem do Vaticano, de Eric Frattini.

17/02/10

Os 7 sapatos sujos - Mia Couto

Os Sete Sapatos Sujos
"Não podemos entrar na modernidade com o actual fardo de preconceitos. À porta da modernidade precisamos de nos descalçar. Eu contei Sete Sapatos Sujos que necessitamos deixar na soleira da porta dos tempos novos. Haverá muitos. Mas eu tinha que escolher e sete é um número mágico:
- Primeiro Sapato - A ideia de que os culpados são sempre os outros;
- Segundo Sapato - A ideia de que o sucesso não nasce do trabalho;
- Terceiro Sapato - O preconceito de que quem critica é um inimigo;
- Quarto Sapato - A ideia de que mudar as palavras muda a realidade;
- Quinto Sapato - A vergonha de ser pobre e o culto das aparências;
- Sexto Sapato - A passividade perante a injustiça;
- Sétimo Sapato - A ideia de que, para sermos modernos, temos de imitar os outros."

29/01/10

Crónicas C’um Caneco - Dia 9

Uma vez chegados à entrada do antigo edifício onde Eugénia vivia, cujas rachas na fachada principal se assemelhavam a separados lábios a pedir ajuda para sarar aquelas feridas, Rodolfo abeirou-se daquela mulher, colocou-lhe um braço por cima do ombro direito, apoiando a mão na parede, e numa profunda inspiração disse-lhe, quase em tom de sussurro, que estava entregue e em segurança. Eugénia, pela primeira vez desde que este maldito Domingo tinha dado sinais de vida, sentiu-se, agora sim, realmente detida. Presa. Amarrada. Aquele braço, que nem sequer estava em contacto com o seu corpo, emitia uma energia atrativa de alta intensidade emocional. Completamente magnetizante. Por alguns instantes a figura de Tobias não lhe toldou a mente.
De modo algo envergonhado, mesmo com algum embaraço, arriscou convidar o Inspector para um café, fazendo figas para que ainda houvesse algum na lata, onde o costumava misturar com xicória.
O Inspector Rodolfo parecia que estava já à espera daquele convite, tal foi a rapidez com que o aceitou. Foi, igualmente, uma forma de aliviar a tensão que se tinha apoderado de Eugénia, mulher habituada a lidar, desde há muito, com todo o tipo de homens, mas que, por alguma razão que lhe estava a passar completamente ao lado, não estava a conseguir dominar a situação que se lhe deparava.
Após um ligeiro impasse, que passou pela atrapalhação com que Eugénia passou por baixo do braço, que Rodolfo, teimosa e propositadamente tinha deixado ficar encostado à parede, lá subiram os dois, até ao segundo piso, pelas velhas escadas de madeira.
Como sempre acontecia, Eugénia Epifânia teve que pousar a sua bolsa sobre o corrimão, de modo a poder procurar a chave de casa por entre toda a tralha que carregava dentro da mala, tal qual como a maioria das mulheres. Finalmente, e após ter despejado quase tudo cá para fora, lá apareceu a dita cuja. Num ápice, fez ranger a chave na fechadura, rodando-a de forma abrupta e puxando a porta para si, para de seguida a empurrar com uma joelhada e a abrir.
De imediato, soltou um grito assustado. Rodolfo, também apanhado de surpresa com aquele grito, entrou de forma atrapalhada pelo apartamento, onde, ao fundo do corredor, se encontrava Vanessa, a viúva oficial de Tobias, naquilo que se podia chamar, em gíria, a fazer uma “espera”. Não contava, entretanto, era que Eugénia estivesse acompanhada pelo Inspector da Polícia, a quem naquela manhã, bem cedo, já tinha prestado declarações.

(Continua um destes dias...)

05/01/10

Crónicas C’um Caneco - Dia 8

O entardecer daquele dia em Lisboa estava particularmente bonito. Os últimos raios, alaranjados, de sol trespassavam por entre janelas, varandas e varandins de prédios antigos, realçando as formas minotáuricas esculpidas na pedra, com que algumas destas construções alfacinhas foram brindadas nas décadas de 50 e 60 do século passado. Lisboa, naquele Domingo, encontrava-se ainda mais romântica.
Entre as instalações da Judiciária e o apartamento de Eugénia, distavam apenas cinco ou seis prédios, intercalados por duas pastelarias, uma delas modernaça, daquelas que vendem pão quente a toda a hora, uma taberna típica, do Sr. Alípio, e o quiosque Saphar. Ah, e faltava a Funerária. Aquela cujo dono a tinha batizado de “Cá Te Espero”.
A zona era conhecida tanto por Eugénia, que aí vivia, como por Rodolfo, que aí passava grande parte do seu dia. Os dois caminhavam calma e serenamente pelo passeio estreito, aqui e ali obstruído por carros que teimavam em estar mal estacionados. Por ironia, alguns deles, pertenciam mesmo à polícia...
Rodolfo, como que impulsionado por uma força desconhecida, tinha inventado uma desculpa esfarrapada para com os seus colegas, e tinha aceite a sugestão de Eugénia para que a acompanhasse até ao seu prédio. Os subordinados do Inspector tinham ficado boquiabertos. Pela segunda vez no mesmo dia, foram surpreendidos pelo chefe. Aquele tipo carrancudo tinha passado a cordeirinho em apenas algumas horas de interrogatório a Eugénia Epifânia.
- Não há dúvida! Exclamou Matos Leitão. O nosso Inspector está apanhado. E pela assassina. Agora que vai passar um bom bocado...ai, ai..ui, ui... disso não duvido. Só espero que não lhe “palite” os dentes com um picador de gelo. Lembram-se daquele filme com a loura boa que sabe como cruzar as pernas?
- Simmmmmmmmm, exclamaram os outros agentes! Já conheciam a fixação de Matos Leitão pela Sharon Stone há muito tempo. Até diziam que o Leitão tinha ficado vesgo por isso mesmo, tanta vez o homem já tinha visto (e revisto) a cena do cruzamento de pernas de todos os ângulos. Pensam até que o colar cervical que usou durante duas semanas, há uns anos atrás, a isso se deveu...
Mas eles estavam preocupados mesmo era com o Inspector...

(Continua um destes dias...)


31/12/09

Lúcio era mau

Aquele homem tinha maus fígados. O seu nome era Lúcio, como os dos peixes lá do rio. Na aldeia ninguém gostava dele. Todos ficavam magoados, até feridos, com os seus comentários e acções. Por isso lhe chamavam Lúcifer...

23/12/09

Crónicas C’um Caneco - Dia 7

A sala da PJ, de um momento para outro, ficara vazia. Apenas Eugénia lá continuava, mantendo o ambiente, ainda relativamente quente. Rodolfo e os seus agentes tinham-se ausentado, momentaneamente, para um compartimento anexo, imune a olhares indiscretos e longe dos ouvidos de toda a corporação. O momento era delicado, contrastando com Rodolfo que estava prestes a partir a loiça toda.
- Foda-se! Exclamou. Nada bate certo nesta história! E nós? O que temos? Nada! Nada!!
- Desculpe Inspector, mas não concordo consigo.
Tobias arregalou os olhos e fitou aquele que era o agente mais velho no activo, e conhecido pelo seu sentido de humor, que utilizava, por norma, nas alturas mais inconvenientes. Matos Leitão era o seu nome. Com ele ninguém conseguia meter uma piada, para além da já gasta promoção a Porco que nunca mais saía. Aliás, nem essa nem a outra. A profissional.
- Acho até que temos muita coisa - continuou o agente Leitão. Senão vejamos: temos um cadáver de um chulo, a sua mulher e a amante. E sabemos que ambas esgalham à noite. Parece-me óbvio que temos 50% de probabilidades de acertar na mouche. Se aguardarmos pelos resultados do laboratório, tenho a certeza que saberemos logo qual delas limpou o sebo ao homem...
- Achas? Perguntou Tobias. Sinceramente, acho que não. Há muita coisa que não joga aqui. Tudo nos levou a crer que tivesse sido a puta. Principalmente depois de termos falado com a mulher da vítima. Agora, e depois do interrogatório à Epifânia, custa-me a crer...De qualquer maneira, acho que temos de interrogar a Vanessa outra vez. Nela tudo foi demasiado óbvio. Principalmente a fazer crer que a amante do marido era a responsável por isto tudo... e se calhar até é! Mas indirectamente. Vais ver que o laboratório me vai dar razão. Antes de eu dar “alta” à Eugénia, pede à toxicologia que lhe faça recolhas. De alto a baixo! – ordenou Rodolfo.
- Mas, mas... Inspector...vai deixar a mulher ir embora?
- Claro que vou! Tudo o que ela disse é perfeitamente plausível e nós não temos nenhuma prova contra ela. A única coisa que tenho a certeza é que ela gramava o chulo à brava. Até demais! E quase que aposto que os resultados da toxicologia a vão ilibar. Ou não...
Rodolfo abriu a porta maciça que separava as salas, e dirigindo-se a Eugénia, colocou-a a par da situação, agora de uma forma já mais simpática do que as abordagens anteriores.
- Quando quiser pode sair. Pedia-lhe apenas que aguardasse alguns minutos para a nossa equipa médica lhe faça alguns exames e proceda a umas pequenas recolhas de material para análise. Pressuponho que o fará de forma voluntária, não?
- Claro que sim, Inspector. Agradeço-lhe até! Já agora, e se me permite a pergunta, essas análises vão revelar o porquê de eu não me lembrar de nada do que se passou ontem à noite?
- Vamos ver, vamos ver! Entretanto, se precisar de alguém para depois a levar a casa, diga-me que um dos meus homens encarregar-se-á disso.
- Não, Inspector. Não é preciso. Eu moro aqui bem perto, como sabe. Vai-se bem a pé. Agora se o Inspector me quiser acompanhar, de certeza que não recusarei tão calorosa oferta...
As pernas de Rodolfo tremeram que nem as de um poldro acabado de nascer! Não esperava por uma sugestão daquelas! Aliás, aquilo era mais um convite descarado do que uma sugestão...E, por outro lado, já tinha combinado com os colegas ir beber uns “birinaites”, mas...

(Continua um destes dias...)


16/12/09

Parabéns Pai

Eu sei que isto é uma conversa comigo mesmo, mas imaginemos que não.
Pai, hoje era o dia do teu aniversário. Fazias 63 anos. E já passaram 7 desde que me pregaste essa partida.
Há 7 anos que não vejo o teu sorriso e encolher de ombros, enquanto dizes:
"Aqueles gajos não jogam nada. Assim não vão lá"
Quero-te dizer que este ano estão a jogar e bem! Só falta chegarmos ao fim em primeiro...
Há 7 anos que não te abraço num abraço apertado.
Há 7 anos que não posso gritar “Benfica” contigo a meu lado.
Apenas posso imaginar o teu sorriso, o teu abraço.
Imaginar o rosto e os olhos a brilhar.
Imaginar que te toco e que te beijo.
Imaginar e recordar com saudade.

Para ti, PAI, um beijo e um abraço,
tão grandes que o Universo não chega para os definir.

09/12/09

Do Editorial do Expresso - Ambiente e Verdade

"Sem pôr em causa medidas ambientais úteis, é necessário trabalhar com base na verdade"
Esta frase, do editorial do Expresso do passado Sábado, 07/12/2009, encerra em si mesma de forma concisa e assertiva aquilo que se passa hoje em dia na problemática ambiental, quer a nível internacional quer ao nível nacional.
Embora tudo aponte para que as emissões de CO2 sejam, de facto, a causa mais provável do aquecimento global, sendo igualmente essa a minha linha de pensamento, não me admira nada, antes pelo contrário, que os resultados de alguns estudos sejam forjados de modo a passar a mensagem com mais eficácia, o que para além de lamentável, é condenável.
Em Portugal, embora a uma escala muito mais diminuta e sem a gravidade de um problema global, como o são as emissões de gases com efeito de estufa, estou em crer que se passa algo de semelhante, com estudos que incidem sobre a mesma coisa e apontam para conclusões totalmente opostas. Exemplos não faltam, e assim de repente, lembro-me de: Estudos ambientais sobre o novo aeroporto (Ota/Alcochete), Barragem do Sabor, Co-incineração e a preservação do Lobo-Ibérico Vs Parques Eólicos!!
Não consigo entender como é que técnicos com a mesma formação, que trabalham sobre a mesma legislação, e muitas vezes, usando a mesma metodologia, chegam a conclusões tão díspares...
Explicações para tal não tenho. Ou se calhar até tenho, mas não passariam de especulações.
Vamos esperar, então, para ver no que vai dar o caso já baptizado de "Climategate".

05/12/09

Playboy Portugal (2010) - 12 meses 12 Capas

Fomos hoje surpreendidos, ou não, pela capa da versão portuguesa da revista Playboy. Em vez de uma qualquer pretensa celebridade do género feminino, como seria de esperar, eis que surge o...Ricardo Araújo Pereira.
No mês passado, já a Mãe Playboy de terras do Tio Sam, tinha, num golpe mediático e publicitário genial, dado honras de capa a uma personagem animada (feminina) - Marge Simpson - com o sucesso que se conhece.
Não me parece, no entanto, que seja este o caso da edição lusa.
Podiam colocar uma personagem animada? talvez...mas já não teria o mesmo efeito surpresa pretendido.
Uma vez que, ao que parece, a revista está em crise, e ninguém quer levar com a "abelhinha" da FHM de novo, ficam aqui 12 sugestões para os 12 edições de 2010 (se, entretanto, não fechar portas...):
Janeiro -  Roberto Leal
Fevereiro - Alberto João Jardim (Ed. de Carnaval)
Março - Toy
Abril - Otelo Saraiva de Carvalho
Maio - Fátima (a de Felgueiras...)
Junho - Noddy
Julho - Bibi
Agosto - Bobi e Tareco
Setembro - Emplastro
Outubro - Linda Reis
Novembro - Medina Carreira
Dezembro - MFLeite, em edição especial de Natal!